Ação KABIRIA!

Kabiria

Kabiria é uma marca de roupas fabricadas exclusivamente com tecidos africanos de alta qualidade,  produzidas por refugiados da República Democrática do Congo na cidade de Nairóbi, Quênia. Essa iniciativa social nasceu a partir de uma necessidade básica dessa comunidade, exilada de suas terras por causa de uma guerra que atravessa décadas, para gerar renda sustentável e digna, aproveitando seus talentos em costura e a beleza dos tecidos da região.

Refugiados Congoleses

Goma é o nome da cidade natal de todos os 40 congoleses refugiados no Quênia. A cidade possui uma história dramática, marcada pelo agressivo colonialismo, racismo, sequestros, estupros, armas, corrupção e outros comportamentos humanos brutais. Até hoje toda a região de Kivu não pôde encontrar a paz. Os conflitos por minérios só agravam, e as pessoas são obrigadas a deixar sua terra natal, para encontrar asilo em países vizinhos como a Tanzânia, Uganda, ou neste caso, o Quênia.

O início

A marca foi criada por duas jovens, Renatha e Noelia, em conjunto com o grupo de refugiados congoleses habitantes da favela que leva o mesmo nome, Kabiria. Renatha é brasileira e Noelia é argentina. Ambas trabalhavam como voluntárias na ONG Washindi Centre, em Nairóbi, com a missão de ajudar o grupo de refugiados na favela a começar um negócio com a confecção e venda de bolos, sabonetes e tapetes. Ao tomar conhecimento dos talentos prévios que alguns deles já possuíam na costura, e do interesse dos mesmos em aprender mais sobre costura e se dedicar a este negócio, os esforços não foram medidos para começar do nada.

Conseguimos os fundos da igreja do bairro, para ser usado como atelier. A dificuldade apareceu pelo lugar se apresentar bastante inseguro para deixar os materiais no local. Toda a noite tudo deveria ser retirado e levado para a casa de um dos costureiros, pelo perigo (pois já estavam acontecendo) de roubos noturnos de materiais. Outra conquista foi a doação de máquinas de costura, e o empréstimo de algumas outras. Doações de brasileiros, uma francesa e uma queniana, aos quais seremos gratos eternamente.

Começamos com apenas uma máquina emprestada e assim trabalhamos o mês inteiro. Muitos esperavam ansiosos a oportunidade de trabalhar e aprender.  Mas somente após um mês isso foi possível, e promovemos um workshop de costura para 10 pessoas, e possuíamos 8 máquinas, entre doações e empréstimos, para o treinamento e início dos trabalhos. Uma forte relação se criou entre eles, e a parceria marca a ponte entre o Congo, Quênia, Brasil e Argentina. Muitos outros voluntários que trabalhavam no Quênia, entre brasileiros e argentinos, ajudaram o projeto levando as roupas para os seus países de origem e vendendo-os. Assim foi possível pagar os primeiros empréstimos que fizemos para comprar tecidos e pagar os primeiros salários.

Sonhos

Nosso próximo passo é contratar um costureiro profissional para ensinar-lhes a costurar nas novas máquinas. Ensinar o corte e modelagem com as quais trabalhamos e os padrões de acabamento que nossa clientela exigirá. Para isso o costureiro deverá ser pago, ao menos simbólicamente. Conseguimos um que aceitou dar um workshop de 3 semanas, dois dias por semana, pelo equivalente a R$ 80,00.

O segundo passo será levar ao menos dois dos costureiros que já trabalham conosco ao médico. Eles faltam muito ao trabalho, estão sempre doentes, fracos, e não somente pela alimentação subnutrida, mas suspeitamos que a maioria destes refugiados estejam infectados pelo HIV/AIDS. Queremos fazer os testes, além da consulta para check up, e pagar o tratamento necessário. O ideal seria levarmos todos os 10 que já estão sendo treinados, mas faremos quando tivermos o dinheiro.

Queremos pagar o empréstimo que fizemos para comprar tecidos e para pagarmos usaremos do dinheiro das roupas já vendidas. Assim não nos sobra dinheiro para pagar o primeiro mês de salário dos funcionados treinados. Queremos pagar-los e com a venda das roupas produzidas no primeiro mês seremos capazes de pagar sozinhos o segundo mês de salário dos funcionários. Cada um dos 10 receberá, neste início o equivalente a R$200,00.

Agora que possuimos máquinas próprias, precisamos de um local seguro para guardá-las. Também um local adequado para um bom número de pessoas trabalharem já que o atelier é muito pequeno, e é emprestado. Queremos comprar um terreno e construir um atelier próprio, mas sabemos que mesmo construindo na favela o custo é alto. Para este sonho precisaríamos de 50 mil reais.